quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Artigo: Como se Tornar um Engenheiro Descrente








Há um tempo atrás, saiu a notícia que o Brasil perde cerca de $15 bilhões com má formação de engenheiros. Tal perda refere-se à uma estimativa de prejuízos causados por falhas nos projetos de obras públicas. Mas eu não vejo com surpresa tal notícia. Quando na história desse país se priorizou ensino? E quando digo priorizar me refiro à busca por permitir, na escola, somente alunos com vontade, tendo aulas com professores capacitados e que querem ensinar, em um ambiente adequado. Mas o o que acontece é o oposto disso. Para se ter uma ideia, a diretiva adotada pelo governo é que professores tem que aprovar todos nos famigerados "conselhos de classe", para que nas caras propragandas televisivas se diga que a taxa de evasão é baixíssima nas escolas públicas. Vejo e ouço histórias de traficantes e projetos de marginais ameaçando professores dentro da escola. Aliado a esse fator, existem alguns professores que estão ali para terminar de desarticular o resto de educação que temos: falta-lhes vontade, não querem mudar e redirecionam o salário recebido à Ambev.

Considerando que o aluno prestou o vestibular e vai começar a cursar o terceiro grau, entramos em outro tipo de problema: o nível superior de baixa qualidade. E aqui não se vê algo de surpreendente, novamente. Um aluno que veio "sem vontade" do 1º e 2º graus irá direcionar-se para um curso superior também "sem vontade", reclamando do texto de 2 páginas que "o professor mandou ler". Vejo uma miríade de cursos superiores particulares inexpressivos, onde o que impera é a falta de conhecimento, a falta da busca científica, da formalidade, do rigor. Faltam, em suma, o ensino, a pesquisa e a extensão. E o governo permite. Permite pelo lobby, pela falta de interesse. Permite pela oportunidade de gerar imposto.

Isso sem falar nas universidades públicas. Vejo pessoas graduadas em universidades públicas que não sabem o que é uma monografia porque compraram-na, que não sabem o que é participar de um projeto de pesquisa. Pessoas essas que, "formadas", preferem beijar um escapulário do que usar camisinha, pois o espírito da dúvida científica dá lugar à certeza de suas fés. Pior que isso: vejo um governo que investe horrivelmente e nas coisas erradas. Que dá, como esmola, R$1.600 a um doutorando. Um acadêmico que passou 5 anos estudando uma graduação de engenharia, com mais 2 de mestrado e irá fazer outros 4 de doutorado. E o governo não permite que ele trabalhe. Deverá viver somente da bolsa. Isso é investimento? Isso é inteligência? Então do que o governo está reclamando, quanto à falta de engenheiros? Reclama de barriga cheia, porque mesmo assim muita gente de boa-fé ainda pesquisa, porque gosta de conhecimento, porque gosta de ciência. E ainda assim "o país" consegue publicar alguns artigos internacionais e realizar algumas pesquisas de qualidade, mesmo que a duras custas.

O artigo chamado "O apagão da engenharia" diz:
"A distorção da política de ensino acarretou ao país ter, hoje, 600.000 advogados e, apenas, 120.000 engenheiros, levando a OAB a regular a entrada no mercado profissional com provas que aprovam menos de 1/4 dos candidatos."

Isso é lamentável. A alimentação da burocracia governamental é mais bem quista do que geração direta de conhecimento e investimento. Outro artigo chamado "Rumo à 'Sociedade do Conhecimento': As Trajetórias do Brasil e da Coréia do Sul" possui uma figura comparativa que mostra uma Coréia do Sul bastante superior ao Brasil:












O problema da falta de engenheiro é o problema da falta de vontade em uma reforma educacional. É o problema da falta de educação e da vontade exagerada de ser o brasileiro comum da novela das 8. De apenas achar graça do Tiririca eleito, dos erros de português da Dilma. Meu discurso é óbvio. Eu, como engenheiro descrente, não "me invisto" nesse país tão cedo...


Crédito da foto: StrangeBusiness
Autor do gráfico: José Terra (em seu artigo)

2 comentários:

  1. A cada dia que passa, eu percebo que fiz o curso errado.
    Acho que ainda não é tarde, se eu conseguir ganhar dinheiro, em alguns anos eu mudo de profissão UASHAUSHA
    Aliás acho que o 'nosso curso' é um caso a parte. Visto que a grande maioria abandona, cursa bem mal, se forma e decide abandonar de vez a carreira.
    Além dos erros que vc citou acima, acho que existe uma grande deficiência no curso e na própria universidade, mas isso são outros 500...
    =/

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  2. Hi friend, Thanks for writing such a good article, really will help me out in many ways.________
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