sábado, 23 de outubro de 2010

Artigo: Pirataria, uma breve análise

Olá, terráqueo. Já estava na hora de eu escrever um novo artigo. E é sobre pirataria. E pirataria, ultimamente, tem tido muito a ver com tecnologia. Antes que você me jogue uma pedra por ser um tema tão batido, defendo-me informando que serei breve e tentarei ao máximo não cair na mesmice.

Bem, direitos autorais, em linhas gerais, significa respeitar e proteger o direto da posse de determinada obra pelo "autor". Muito bonito, interessante, mas escroto! Ra-rá! Sabe por que? Porque arte, em sua essência, é livre. Como um artista que compartilha suas notas e cores, suas palavras e movimentos para sempre em nossas memórias pode restringir o alcance de sua arte? Artista de verdade faz sua arte para ser espalhada aos ventos. Se eu ouço um comediante na TV contar uma piada e a repito para meus amigos, contando que a vi através de tal humorista, devo pagar-lhe direitos autorais?  Se eu fosse savant e decorasse todo um livro emprestado, guardando cada vírgula em minha mente eu estaria fazendo cópia não-autorizada? Mas se eu não fosse savant e tirasse xérox? Seria? Então pirataria se resume a folhas de papel?

A pirataria desviou-se de sua semântica, assim como a palavra hacker. Pirataria foi distorcida de tal modo que comprar um DVD pirata e baixar um DVD "pirata" são vistos como se fossem a mesma coisa. Mas não são. Quando você compra um DVD pirata você, meu caro amigo, colabora com quem "fabrica" tais produtos. E aqui no Brasil eles são muito bem conhecidos: traficantes de drogas e armas, principalmente. Você que compra seu DVD pirata em Recife, em Natal, no Rio Branco etc, saiba que há grandes chances de ele ter vindo de tais "fabricantes" (Duvida? Veja aqui e aqui.). É um dos patrocinadores de grande parte da violência no país, movimentando até mais dinheiro que o próprio tráfico. Pirataria deveria significar patrocinar a anti-arte: a violência.

Mas eu te pergunto: e seu eu baixar um arquivo? Eu te respondo: não acontece nada. Não acontece porque são bytes, são dados, atravessando um servidor de arquivos da Suécia, por exemplo, e vindo para seu computador. Você faz questão de bytes? De elétrons? De átomos? Então não compartilhe apertos de mão, não perca seus átomos por aí... Quando tiver filhos, não deixe-os emprestar lápis aos coleguinhas: os átomos de carbono no grafite são seus.

Você acha que está protegendo quem, quando deixa de baixar um livro que precisa muito? O autor? O autor do livro, assim como o autor de um CD fizeram sua obra para a eternidade. Fizeram em prol do conhecimento, da cultura. E se não o fizeram, sequer mereciam vir a público, porque não são artistas nem autores, mas comerciantes e não possuem obras, mas sim produtos. Se um autor morrer quem continua ganhando dinheiro? A editora, a gravadora, a corporação. Porque é isso que esse falso moralismo, essa hipocrisia digital protege: a perpetuação da detenção do conhecimento, da cultura. Porque quase nada é repassado ao artista, ao autor. Artistas vivem dos shows, na mesma medida em que autores vivem de suas pesquisas, de suas aulas, de suas palestras e seminários. Utilizam do mainstream apenas como meio de divulgação. Essa "pirataria" virtual é, ainda, ecológica: não há folhas impressas, nem plásticos, nem nada.

Não é porque é legal que passa a ser ético. Quem escreve tais leis detém o poder de modificá-las a seu bel-prazer. Conhecimento e arte sempre devem ser livres. Mas deixe-me com meus botões: aqui é só um texto argumentativo, enquanto que aí fora estão as leis corporativas. Sejamos os bobos reféns e de tapa-olhos... Quintana uma vez disse que "quem faz um poema salva um afogado". Mas Quintana já se foi, e seus direitos autorais ainda estão aí...

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